DAS REZAS NA B.O. E A JUSTIÇA DE DEUS OU ALLAH PARA OS BONS E OS MAUS

Por: Gustavo Mavie


‘’É possível ter um criminoso numa Igreja e um santo numa cadeia’’, anónimo.


Durante a II Guerra Mundial, os capelães do Hitler rezavam a Deus para que abençoasse as suas forças e os permitisse vencer as tropas dos países Aliados, ao mesmo tempo que os capelães destes imploravam também ao mesmo Deus, para que desse igualmente força aos exércitos dos seus países que lutavam contra os invasores hitlerianos, e assim derrota-los.

Segundo um relato épico contido no volumoso livro do académico alemão L.L. Mathias, com o título O Reverso dos Estados Unidos (da América), os que estavam a par das rezas dos capelães hitlerianos em simultâneo com os dos Aliados ficavam atónitos porque não podiam imaginar a quem Deus iria ajudar tendo em conta o carácter injusto e justo das causas com que ambos os beligerantes se batiam.

Mas obviamente era convicção dos que eram assassinados pelas tropas hitlerianas sem culpa, que Deus iria ouvir naturalmente as suas súplicas, porque não podiam imaginar Deus a ajudar quem matava pessoas em massa sem que tenham feito NADA de mal.

E de facto a expectativa dos capelães dos Aliados foi correspondida por Deus, porque ele atendeu as suas rezas em prol dos Aliados e, consequentemente, Hitler e as suas tropas perderam e ele próprio acabou se suicidando, ao mesmo tempo que os seus principais apoiantes foram presos e julgados entre 1945 e 1946 pelo Tribunal de Nuremberg, na Alemanha, após o término daquela Guerra.

Alguns dos responsáveis pelos crimes cometidos durante o período do Holocausto foram levados a julgamento na cidade de Nuremberg, na Alemanha.

Juízes das Forças Aliadas (Grã-Bretanha, França, União Soviética e Estados Unidos) presidiram os interrogatórios de 22 dos principais criminosos nazistas.

Doze dos responsáveis pelos crimes receberam pena de morte. A maioria dos acusados assumiu os crimes de que eram acusados, porém muitos alegaram que estavam “apenas seguindo ordens de autoridades superiores”.

Outro episódio semelhante à dos capelães nazistas e dos países Aliados foi me contado quando vivia em Londres.

Na altura veio um Pastor angolano participar no SOAS, uma das Escolas da Universidade de Londres, numa conferência sobre a busca então da Paz para Angola que na altura estava sendo perturbada pela guerra da UNITA que movia sob o comando de Jonas Savimbi.

O tal Pastor contou que a maioria dos angolanos estavam orando também a Deus para que terminasse a estadia de Savimbi no Mundo, porque era a causa da perpetuação da guerra em Angola.

Curiosamente, anos depois dessa conferência a vida de Savimbi foi terminada e Angola ficou logo em paz.

O que me traz de volta estes episódio sobre as rezas dos padres hitlerianos e dos que estavam com os Aliados, como dos angolanos pedindo a Deus para terminar com a vida de Savimbi, é a procissão de rezas que alguns réus estão fazendo na B.O. muito provavelmente para Deus ou Alah os ajudar a não ser condenados.

Só que as rezas de alguns dos réus podem também não ser atendidas por Deus, se é verdade que traíram o seu país aceitando receber subornos da Previnvest para colaborarem no calote que inviabilizou que se comprassem equipamentos apropriados, que teriam permitido garantir a protecção da Zona Económica Exclusiva (ZEE) moçambicana. Penso que é muito provável ainda que Deus não os atenda, se de facto eles participaram neste calote que acabou levando o FMI a aplicar sanções financeiras ao País, causando assim um sofrimento indescritível aos moçambicanos e morte prematura de milhares de outros por perca dos seus empregos ou rendimentos, por falta de medicamentos que deviam se importar.

Valendo-me dos casos da II Guerra Mundial e de Angola em que Deus não atendeu os maldosos, não vejo como ELE irá salvar os réus das condenações, se de facto se deixaram levar pela ganância e prejudicaram o seu país e os seus compatriotas, muito mais porque, quase todos não se mostram arrependidos, como alguns agem como se tivessem feito o que fizeram, por uma causa patriótica ou justa.

Duvido muito, porque há provas históricas de que Deus não tolera actos maléficos, como o provam o Dilúvio com que Deus inundou o Mundo, e que só os que estavam na Arca de Noé é que salvaram. Mesmo o seu Filho, Jesus Cristo, não foi condescendente com os profanadores do seu Templo.

Por isso, acho que de nada valerão as várias rezas que foram solicitadas por alguns dos réus na B.O. e que foram autorizadas pelo Juiz Efigénio Baptista.

Eu acho que Deus ouvirá o clamor dos moçambicanos cujos familiares viram as suas vidas encurtadas pela crise financeira causada pelo calote que terá enriquecido de dia para a noite alguns dos réus que estão sendo agora julgados.

É que o próprio Deus ou Allah recomendam que cada um de nós faça o bem ao próximo, e não o mal, como está ficando evidente que alguns dos réus fizeram contra o seu próprio país e dos seus compatriotas.

Alguns dos réus lembram o preceito de Jesus, de comparar certos maléficos como lobos que se vestem com pele de cordeiro.

É que os que rezam de verdade se inspiram e guiam pelo preceito religioso que recomenda que ‘‘não devemos fazer aos outros o que não gostaríamos que fosse feito para nós próprios’’. Infelizmente, ao longo deste julgamento fizeram à maioria dos moçambicanos o que não teriam gostado que se fizesse para eles – que foi receber milhões de dólares e pior ainda, manter tais milhões depois da descoberta deste calote.

O que deviam ter feito era terem confessado que foram subornados para trair o país e prejudicar o Projecto, e se predisporem a devolver o dinheiro dos subornos, ou os bens que terão adquirido.

Tanto quanto foi revelado já neste julgamento, somente um dos 19 réus – o antigo conselheiro do ex-PR Armando Guebuza, Renato Matusse – é que foi por sua conta e risco à PGR, contar tudo o que havia feito, e dizer que estava predisposto a devolver os fundos que lhe foram dados pela Privinvest.

Os restantes, não só teimam em não dizer as coisas como deviam ser ditas para o apuramento da verdade e beneficiar da redução das penas pela confissão espontânea do crime em que possam ter enveredado, como estão a fazer tudo para iludir o juiz e o MP, para que não sejam considerados culpados e, consequentemente, condenados e obrigados a devolver tudo o que receberam ilicitamente.

Eles mostram indirenca e ate desprezo ao sofrimento que causaram aos seus compatriotas.

Isto leva-me a assumir que possam ser pessoas com tendência criminosa, e que sempre agiram e viveram praticando acções ilícitas, com o propósito de se enriquecerem.

Essa sua tendência está de resto patente nas suas caras e gestos de alguns, que têm espelhado no recinto da B.O. e no próprio banco dos réus em que se sentam para serem ouvidos.

De facto, para quem não sabe que são réus, pode tê-los erradamente que são participantes do evento aprazível e aplaudível e não ruim a todas as luzes como sentar no banco dos réus e pior televisionado para todo o país e todo o mundo.

Isto tudo poderá fazer com que alguns dos réus sejam elegíveis a figurar no Guiness Book de Recordes pela sua espectacularidade e o à vontade com que os julgados se têm apresentado.

Até modificaram e fizeram adaptações `a indumentária que deve ser usada pelos réus detidos para o seu estilo e gosto. gustavomavie@gmail.com

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